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sábado, 2 de outubro de 2010

Noren

As noren são umas cortinas japonesas utilizadas para separar divisões, como as portas, mas dando um ar engraçado ^^  
É sempre uma cortina com um corte a meio e, com um desenho com algo tradicionalmente japonês.

À partida, parece esquisito, eu sei, mas lá vê-se em todo os sítio que tenha uma cozinha, seja restaurante, seja numa casa. Ou então, na separação entre loja e sala do staff, ou zona de cacifos e espaço público, ou nos banhos públicos. 

Mas dá um ar muito engraçado ao espaço. Não sei se já tiveram oportunidade de ver isso em restaurantes japoneses...


É um costume que veio do final da época Heian (séc. XII), em que se colocava isso para mostrar que uma loja estava a funcionar. E, assim que a loja fechava, também a noren era retirada. 

Nessa altura, cada cortina tinha apenas o desenho do objecto que vendiam, mas com o tempo começaram a elaborar ilustrações mais apelativas. Ás vezes, também se usavam como nós usamos as nossas cortinas, para impedir o sol ou o vento de entrar pelo estabelecimento.


Com as portas cada vez mais resistentes, as noren cairam em desuso durante uns séculos. No entanto, hoje em dia vê-se em todo o lado :) 

Antigamente mediam 114 cm de comprimento e nos dias de hoje tendem a ter 160 cm (ou seja, 1 cm a menos que eu :P)

O tipo de tecido ou ilustração da noren indica-nos logo o estatuto social ou o tipo de estabelecimento a que pertence, como as placas das lojas, no fundo. No entanto, as noren dão um toque mais tradicional.


Em geral, as noren divididas em 3 vêem-se mais nos restaurantes rápidos ou nas tascas ambulantes, enquanto que as que se dividem em 2, vêem-se mais em casas. 
Agora, não se utilizam no exterior, como antigamente. Usam-se mais para mostrar que há secção da loja ou da casa que é privada. 


Por outro lado, também são óptimas lembranças: bonitas, originais, leves e baratas :)


Uma coisa que demorei a perceber foi por que raio nos banhos públicos (onsen) têm sempre as noren com o caracter 'yu' em hiragana. Sempre! 

Ora, porque o caracter para 'àgua quente' também se pode ler 'yu' e, é muito mais fácil de pôr em tecido o ゆ do que 湯 . Espero que consigam todos ler o que escrevi em caracteres aqui >.<


Eu tenho 2 norens: um pequeno de 3 divisões com a Hello Kitty que comprei em Quioto, e um grande de 2 divisões com um enorme kanji tirado do anime Hakuouki Shisengumi Kitan.
Não os tenho postos em lado nenhum, pois não tenho apoios para os dependurar, o que é uma pena, pois ficariam pintarolas ^^


Se quiserem ver mais fotos na net, podem ir aqui.

quinta-feira, 22 de março de 2007

Oedo Onsen

Antes de mais há que tirar a dúvida da imagem deixada para divinhar, no último post.
Aquilo é um secador de mãos, daqueles que bufam ar quente, tão a ver? Pois, só que lá têm aquele aspecto suspeito :P
Tava eu no quarto de banho a abanar as mãos para elas secarem, quando vejo alguém enfiar as mãos naquela coisa. Prontos, aquilo sopra ar quente dos 2 lados. Ao menos, as mãos ficam completamente sequinhas. Mas faz muita impressão a pressão do ar. Depois, claro, esperei que não estivesse lá ninguém para tirar o raio da foto.... realmente, as figuras que um gajo faz para poder contar as histórias depois!

As onsen são nascentes de àgua quente, bastante apreciadas pelos japoneses, como já expliquei noutro post.
Encontram-se espalhadas pelo país fora, mas a grande concentração encontra-se à volta do monte Fuji. Só que, para aquelas bandas, os acessos são muito básicos e ou se conhece muito bem e se vai de carro ou então numa excursão.
Por isso, eu fui a uma em Tóquio. Só que lá é uma nascente artificial, mas não faz mal.

A Oedo Onsen fica em Odaiba, a baía de Tóquio. Recomendo irem ver o site.
Vai-se de monorail (aqueles comboínhos sem condutor) ou de barco. Como fiquei fã do sítio, fui das 2 formas.


Quando fui de barco, via-se o edifício de uma televisão, já não me lembro qual, que tem uma história muito engraçada. Tinha feito no ano anterior uma 'tour' a Tóquio e lá pelo meio explicavam as curiosidades.

Tão a ver aqueles espaços entre as várias pontes do edifício? Sim? Pois, aquilo tem uma lógica muito específica. Não, não é só pa
ra o estilo. Parece que, antigamente, passavam naquela zona dragões! E, por isso, o arquitecto teve a preocupação de pensar "e se eles voltarem?"... pois, não se podem esbarrar, então. Deixou aquelas aberturas param eles poderem passar!!!!!!... muito bom :)

Voltando à onsen. Cá fora, está-se rodeado de arranha-céus e viadutos e depois lá dentro é outro mundo, até outra época. Ah, ao lado da onsen também existe uma para cães! Ena.

Mal se entra temos que nos descalçar e deixar os sapatos num cacifo. A fita do costume.
Depois, escolhemos a duração da "estadia": pode-se ficar o dia to
do (das 11h às 08h do dia seguinte), só de manhã, só de noite, a partir das 18h (é metade mais barato, por isso fica cheio), a partir das 02h da manhã.
Pedem que se retire qualquer peça de joelharia e, quem tiver tatuagens não pode entrar. Os yakuza têm sempre tatuagens, assim é uma forma simples de evitar confusões.

Dão-nos uma fita de pôr ao
pescoço com um código de barras. De seguida, vai-se ao balcão dos yukata (fino quimono) e escolhe-se um (incluído no preço). São bem giros e há uma grande variedade. Dão-nos também uma toalha grande e uma pequena.

Passa-se para a zona dos cacifos. Bonitos, mais uma vez.
Larga-se lá a mochila e assim. Tem que se andar completamente descalço a partir daí. Dão-nos uma bolsinha para pôr o essencial. E não se pode levar mais nada, além das toalhas, claro. Ah, e por baixo do yukata, nada de roupa interior! É muito estranho ter que andar de "robe" sem mais nada no meio de uma data de gente...

Atravessa-se a "praça", que está decorada à maneira feu
dal, com lojas, restaurantes, diversões de feira. Os empregados estão vestidos também à maneira. Está muito engraçado.

Depois de dada a voltinha, pode-se ir para as massagens - separado quanto aos sexos, mas é engraçado que em ambos os lados são velhotas que fazem as ditas massagens. Excepto nas massagens com esguichos de água :) não percebi lá muito bem o que era, mas aí era uma senhora nova. Embora, qualquer uma das massagens fosse extremamente cara. Dava para espreitar, mas não experimentar.

Ou então vai-se para a zona dos banhos. Existe ao ar livre também e, aí é misto mas é obrigatório manter o yukata, por isso só se molham as pernas.
Dentro, é separado por sexos. Passa-se para outra zona de cacifos, onde se deixa tudo menos a toalha pequena. Entra-se na grande sala dos banhos, finalmente! Eu e as colegas com ia pusemos a dita toalhita a tentar taparnos...p
ois. Não dá. Tem que se andar em pelote!!! Para nós foi um bocado bicudo, apesar de só lá haver mulheres.... mas andar nua em frente a tanta gente? Meu deus, que cena. Tavam as velhotas todas a rir-se de sermos púdicas...
Que filme -_-;
De resto, uma pessoa fica extremamente relaxada. Fica-se ali um fim de tarde na conversa... Vai-se trincar qualquer coisa e volta-se. Há stands que nos lêem a mão, para lançar dardos, para pescar prémios, essas coisas.


Tem-se que tomar um duche à japonesa, lá naqueles banquinhos (ver post salas de banho). Depois de lavadinhos, podemo-nos deslizar para dentro de um dos tanques com àgua a 38º. Muuuuuuuito bom. Há uns baldes de madeira gigantes que são só para uma pessoa, se se quiser estar só. A toalha pequena é para encharcar de àgua e pôr na cabeça ou alguma parte do corpo que esteja ao frio.

Sempre que se efectua uma compra, quer nas lojas, quer nos restaurantes, passa-se o dito código de barras. No fim, já à saída, paga-se tudo.

Valeu a pena. Voltei lá umas 3 vezes.











terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Salas de banho

Desculpem a demora... muuuuito que estudar ultimamente...

Quer se trate de uma casa tradicional, quer de uma moderna, as casas japonesas têm um quarto de banho e uma sala de banho. Parece esquisito, não é?

Como dá para ver pela imagem, a casa de banho é constituída por 3 partes: o lavatório e o banho, e a sanita.

Fiz esta separação pois quando se entra para o lavatório, tem outra porta para a sala de banho. A sanita encontra-se num quarto de banho à parte, em geral, fica logo à entrada de casa.

A imagem do lado esquerdo é o espaço para se tomar o banho, sentado no banquinho e utilizando o chuveiro.

A imagem do lado direito mostra a banheira - que não é
para tomar banho no sentido de lavar. Após o banho tomado ali do lado esquerdo, vai-se para dentro da banheira, enchida com àgua a escaldar até cima. E, embora vos pareça uma banheira baixinha, enganam-se! Pois é bastante profunda. Uma pessoa lá sentada fica com àgua até ao pescoço!
Dá para ver pelo bonequinho, não?

Digo-vos, é extremamente relaxante, após tomar banho, ficar na banheira a fazer sauna.
Eles fazem isso no dia-a-dia. Imaginem o tempo
que cada um demora a tomar banho...

Nos hotéis, para poupar espaço, põe a banheira e o duche junto. Normal, dir-me-ão vocês. Pois, mas a banheira é montes de alta de forma a uma pessoa utilizá-la com àgua até ao pescoço, como vimos. É muito complicado entrar e sair dessas banheiras... então, eu que sou baixinha :) E daí, os japoneses também não são exactamente altos, mas prontos, eles lá se amanham.

E a tampa para que serve? Pois, isso é que eu já não acho tanta piada...
Como é um grande desgaste de àgua e quente, a tampa tapa a dita àgua.
Pela ordem: 1º é o pai que toma banho, depois os filhos e, por último a
mãe.
E dirão vocês "beurghc!". Mas o pessoal já tomou banho antes, tá tudo lavadinho.
Pois, mas a mim faz-me impressão na mesma pensar nisso. Não acham?
... Tradições.

A sala do banho está ambientada para 24º ou mais e, apesar de ter janelas de taman
ho normal (não daquelas pequeninas) há sempre umas árvores estratégicamente bem colocadas em frente. Puro relaxar.
Deixo aqui mais exemplos de banheiras e salas de banho, para se entender melhor.

Estão a ver sempre o dito banquinho? E também uma bacia de madeira, não é? Serve para atirarmos àgua para cima de nós, sabe bem. Claro, hoje temos o chuveiro para isso. Mas usava os 2 ao mesmo tempo e tinha sempre os pés também dentro de uma bacia com àgua quente. Muito boas essas
banhocas!

E os quartos de banho então?
Pois, nem sempre são como os nossos.
Os das casas têm aquelas sanitas
super-sónicas de que já falei :P Os dos centros comerciais e restaurantes também.

....Mas e no metro, nas lojas normais,
nos museus, nas estações de serviço?
Não há sanita para ninguém! Pois é. Basicamente é um buraco no chão! Ou "à caçador", ou "à turco" como se diz nalguns sítios.
.... É muito complicada a coisa... sobretudo para nós, mulheres... muito mesmo. Bem, eles lá puseram uns tubos fixados na parede para o pessoal se apoiar.

Se bem que, o pessoal por lá tá habituado a esta faceta desde sempre, por isso não têm problema nenhum em usar os ditos buracos. Nos museus e estações de serviço, há tipo 10 'buracos' e 1 sanita. É complicado...

Mas assim já estão avisados!

Não sei se sabem, mas os japoneses têm regras muito específicas quanto ao S. Valentim.
Pois é. Amor também leva regras. Mas isso, fica para amanhã!