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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Hokoten


Hokoten é o diminutivo para Hokousha Tengoku, que à letra significa 'paraíso pedonal', mas na realidade refere-se à animação de rua.

E com animação, quero eu dizer mesmo grupos de música espalhados pelos passeios fora. Achei o máximo o ambiente que isso dá na rua! 

Tropecei em alguns em Shibuya e em Shinjuku. Mooontes de gente a assistir! Na altura, pensei que se tratasse de algum evento naquele dia...

Mas não. 
Em certas zonas de Tóquio, à noite, as ruas enchem-se de grupos de música amadores a fazerem-se conhecer ou à espera de serem fisgados por alguma editora de música.

Muitos começam assim. Vão para a rua cantar e tocar. Não querem dinheiro, querem mas é fãs. Com o crescer da multidão, crescem os fãs. E quanto mais fãs, mais se entusiasmam e fazem CDs que vendem na rua. Eventualmente, sai-lhes a sorte grande.
No entanto, isso acontece com muito poucos :(

Pois, este tipo de publicidade funciona muito com o "passa-a-palavra" e, os japoneses não comunicam muito nesse aspecto...por outro lado, as redes sociais vieram dar uma ajudinha nesse campo.

De qualquer forma, a vida é dura pois até conseguirem qualquer tipo de contrato, tem que ser o próprio grupo a financiar os CDs ou merchandising, ou até os bilhetes para pequenos concertos que consigam dar nas raibu-hausu (=live-house ~ casas que alugam palcos). Visto que também não têm poder financeiro para fazer publicidade em rádios ou tv. E são, obviamente, os próprios que têm que carregar o material todo para o meio da rua.

Além de que conseguirem fazer-se ouvir bem num passeio cheio de barulho citadino, como o do trânsito ou das pessoas a passar, requer também algum barulho da parte deles.
 
Os 'hotspots' para estes hokoten são: em Shinjuku junto ao edifício Alta (chama-se mesmo assim); em Shinjuku junto à loja Gap; no parque de Yoyogi; no caminho junto à Tokyo School of Music; na saída Este do metro em Ikebukuro; à saída do metro de Takadanobaba (onde tive o meu curso de japonês ^^); junto aos autocarros em Akihabara; debaixo da ponte de comboio em Shimokitazawa; no cruzamento de Shibuya até à estátua de Hachiko;  e no grande parque Ueno.

O que é mais fixe, é que além de ser de borla para quem passe na rua, ouve-se todo o tipo de música ali: punk, alternativa, techno, hip-hop, jazz, death rock, speed metal, bubble-gum, grunge, blues, etc.

É mesmo para todos os gostos e sentimo-nos como se tivessemos ido a uma data de concertos numa única noite :)

Visto que as minhas fotos não ficaram fantásticas (à noite e sem flash), deixo-vos links de quem conseguiu filmar com jeitinho: o vídeo abaixo dos Toy Missile ou vários no youtube.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Love Hotels & ko-gals

Como em todo o lado, há hotéis só para a "brincadeira", não é?

A zona mais conhecida em Tóquio é o Red Light district em Shinjuku. No entanto, há mais zonas.
Shibuya é uma delas. Menciono Shibuya porque esta é uma zona "fixe", sempre cheia de juventude que quer ser 'cool', além ser uma zona de engate com estrangeiros e, juntando isto tudo, muitos anúncios e filmes são lá filmados, como por exemplo, o "Lost in Translation".

Os Love Hotel japoneses têm uma característica muita e
ngraçada: a decoração...
Entra-se pela garagem. A recepção não tem qualquer empregado mas sim um quadro de fotos luminosas dos quartos e uma máquina para se pagar com cartão. Tudo muito discreto, portanto.

O interior do quarto é decorado conforme as fantasias mais maradas: o mundo das corridas de carros, o castelo de princesas, um comboio, o mar e as sereias.... conseguem imaginar?
Não?
As paredes pintadas como se se estivesse no meio do mar, por exemplo; a cama em forma de carro ou castelo...

Os Love Hotel são prática corrente para ter um caso, visto a facilidade de anonimato.

Tem-se a opção de pagar por 3h ou por noite.
3h custa 3000 yen=25€ e uma noite custa 8000 yen=65€.

E depois existem os bares de "hostess" (hospedeira) para quem não quer brincadeira a sério: basicamente é um bar cheio de belas meninas vestidas com vestidos de gala que fazem companhia aos homens que lá entrarem. Encontram-se também cá fora à porta para os aliciar. Há ruas inteiras com porta sim, porta sim de 'hostess bares'. No entanto, fica mais caro que os hotéis: paga-se a entrada, paga-se uma bebida à menina que se dirige ao cavalheiro e só aí já vão uns 150€ e o desgraçado ainda nem pediu uma bebida para ele...

Mais barato é o chamado "delivery health"!
...Pois, a "saúde a domicílio" são hostess ou prostitutas, conforme a saúde que se for tratar, que se deslocam a casas. Em geral, são mulheres nos seus 20-30 anos que o fazem para poderem comprar a roupa e carteiras da moda. É muito comum.

Falta as 'ko-gals' agora.
No Japão, a tez nívea (como dizia o Camões para pele clara) é o máximo da beleza feminina. Ora a juventude do contra decidiu atirar-se aos solários e ficar o mais escuro possível. Que dá um laranja escuro, mas prontos.

Por isso, sempre que se vê uma rapariga com tez alaranjada, cabelo pintado e maquilhagem brilhantíssima (aberrante na minha opinião) os homens fazem uma cara de pateta alegre e as mulheres olham com má cara. Porquê?

Porque as ko-gal prostituem-se para serem rebeldes e para poder, mais uma vez, comprar roupas e carteiras de marca. Trata-se de raparigas entre os 15 e 25 anos e os clientes costumam ser homens casados, abordados nas ruas de Shibuya.

'Gals' é o diminutivo de 'girls' e 'ko' significa corcunda em japonês. Elas costumam sentar-se no chão em grupinhos e faz parecer uma data de corcundas - pelo menos, é esta a lógica do nome :)