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quarta-feira, 14 de março de 2007

O dia Branco

Ora, o dia Branco ou 'Howaito-dei' (como eles dizem :P) é a resposta ao dia de S. Valentim!

No dia 14 de fevereiro, as mulheres exprimem a sua chama aos homens e hoje, eles vingam-se :P


O dia Branco foi criado em 1965 por um fabricante de marshmallows - daí a cor branc
a.
Este dia permite aos homens, que há 1 mês receberam chocolates, de honrar a amiga ou a a
dmiradora e oferecer-lhes bombons... brancos e.............. num valor 10 vezes superior à prenda dela!!!!!
Muitas vezes eles recusam por causa disso mesmo. Inicialmente era só 3 vezes mais, como ind
ica o nome 'sanbai-gaeshi', mas suponho que evoluiu com o tempo........ coitados.

Agora já não se dá só marshmallows, visto que há muita gente que não gosta, mas qualquer coisa branca como lingerie, lenços, jóias, 'mochi', flores, biscoitos, etc. Ainda bem, viva a criatividade :)

Falei dos mochi, sabem o que é? Não?
São bolinhos feitos de arroz glutinoso (fica uma massa branca) recheados com 'anko' (pasta doce de feijão vermelho) e 1 morango.
Especialmente para o dia Branco, recheiam-se de chocolate branco, o que fica extremente doce, como devem imaginar.

O dia Branco alastrou-se e também é festejado na China, Taiwan e Coreia.

Apesar de já ser uma tradição no Japão, o dia Branco não é tão festejado quanto o dia de S. Valentim: apenas 45% dos homens celebram o dia Branco enquanto que 67% das mulheres festejam o dia de S. Valentim.
Dentro dos 'festejantes', os que celebram o dia Branco são maioritariamente casados enquanto que o dia de S. Valentim é mais apreciado por jovens e, solteiros.

3 em cada 4 mulheres oferece o chocolate ao namorado ou marido mais o chocolate de agradecimento aos colegas, como expliquei no post de há 1 mês atrás.

Dos que participam no dia Branco, 33% oferecem biscoitos, 11% oferecem flores e 55% dão outro tipo de presentes. 71% dos homens presenteiam o dia Branco a 3 mulheres e, os restantes 29% apenas a uma mulher, que bem...

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

O dia de S. Valentim

Vamos por passos. Penso que é importante de falar do amor no Japão antes de explicar o S. Valentim.

Amor em ja
ponês diz-se 'Ai' ou 'Koi' e definem-no como:
  • "um sentimento de dor que se sente quando nos sentimos fortemente atraídos por uma pessoa com quem não é possível viver junto" ou
  • "o estado confuso que desencoraja o espírito de iniciativa como se se tratasse de fios completamente enmaranhados"... Eles lá sabem.
Se formos a ver, o Japão é uma sociedade de casamentos arranjados, os "Omiai Kekkon". Porque quando uma mulher chega aos 25 e ainda não se casou é catástrofe nacional!!! Os pais dirigem-se a uma agência matrimonial para lhe tratar do assunto... Os encontros são arranjados pelos agentes e "fiador" da pessoa, em restaurantes.

Ainda hoje funciona assim: as mulheres vão para a universidade não para seguir uma carreira, mas para conhecer o futuro esposo. Meu deus... Mesmo quando vão trabalhar, é para conhecer um pouco do mundo, mas assim que encontram o "eleito do seu coração" casam-se e deixam de trabalhar. Isto explica porque é que existem muitas secretárias, mas quanto a postos superiores, não há mulheres. Com algumas excepções na indústria dos cosméticos, hoje em dia. E por conviverem pouco com homens (e vice-versa), há uma dificuldade em compreender o sexo oposto - aí as ditas agências fazem o atalho para se conhecerem.

Na família onde estive hospedada no Japão, tinha acontecido exactamente como referi acima quanto ao casal. A filha já dizia querer seguir uma carreira em vez de criar família, mas que tinha que escolher entre um ou outro... O casamento não é uma esc
olha na vida, mas sim a escolha de um modo de vida.

As mulheres têm receio de não encontrar um esposo, pois há cada vez mais com o desej
o de seguir uma carreira. Uma minha conhecida japonesa que acabou agora o curso, está triste porque vai ficar para tia. Ou o trabalho ou o casamento. Tudo porque os homens japoneses não gostam das mulheres inteligentes, gostam que sejam submissas e que tratem do domínio delas - a casa e os filhos. Pois... E assim que se fica grávida, o empregador força a mulher a pedir a demissão!

Isso deve explicar porque é
que quando há casais estrangeiros com japoneses, é sempre ela japonesa e ele estrangeiro e nunca o contrário. Incrível. E para o engate? Nunca metem conversa com alguém que não lhes tenha sido apresentado...é complicado, pois. Além de que nunca se deve olhar para ninguém desconhecido directamente nos olhos, pois é muito mal educado! Muito complicado o engate, definitivamente...

Os japoneses são extremamentes reservados quanto ao afecto. Para já, em público não se demonstra: se uma menina receber uma beijoca na bochecha, é logo uma p*#%! E dar as mãos ou outras coisas, tão a ver.... nós, realmente, somos muito ousados. Pergunto-me o que eles acham dos filmes americanos, que retratam tanto o "afecto"....

Quanto aos encontros, os homens estão à espera de mulheres tímidas, que precisem de ser protegidas, submissas e de poucas palavras - isso é uma mulher com respeito!

Desculpem estar-me a
esticar tanto quanto ao papel dos homens e das mulheres, mas acho importante antes de chegarmos ao dia dos namorados, para entenderem como eles funcionam.

Existem 2 tipos de amor bem distintos: o amor-paixão, "seiai", e o amor-romântico, "renai".
Como as esposas são as mães dos filhos e por quem sentem "renai", os homens sentem necessidade de procurar a paixão/sexo por fora.
** Note-se que acho isto uma grande lata e bastante machista, mas é assim que funciona lá**
E só se torna adultério se o homem se apaixonar, pois interfere com o "renai" ou quando a mulher come por fora e é descoberta!!! só nesses casos é que funciona pedir o divórcio...
É mesmo preciso ter
lata! Definitivamente, os homens japoneses não são para mim. Já tão avisadas da coisa. Os homens procuram o sexo fora do casamento sem se sentirem culpados pois é de bom tom as suas mulheres ficarem indiferentes a isso! ...Era eu, era, que conseguia ficar indiferente.

Desculpem t
ar a dar tanta opinião, mas esta tradição põe-me fora de mim. Nos tempos feudais, o adultério por parte do homem não mudava nada, mas se fosse por parte da mulher, a desgraçada levava com a pena de morte...
Tradicionalmente,
a esposa deve caminhar a 10m do marido, na rua! O casal da casa onde fiquei ainda fazia isso, mas com menos espaçamento. Ele ía sempre à frente.

Hoje em dia, as esposas fazem muito viagens (sozinhas ou com as amigas, supostamente) e os maridos não têm nada a haver
com isso - facilidade para elas se desforrarem também...

Em 1993, o príncipe Naruhito casa-se com Masako, com quem namorava há 7 anos. A família imperial era contra sobretudo por ela ser uma mulher independente e moderna! E, claro, também não era de sangue real. A família real comentou:" é uma mulher qu
e gosta de independência e, quando andou em Harvard comportava-se como se as mulheres tivessem igualdade aos homens! É necessario pô-la no caminho certo..."!!!!! Agora entendo porque é que a desgraçada teve uma depressão e não dava filhotes.

Sabem como surgiu a celebração (comercial) do S. Valentim no Japão?
Foi introduzido em 1958 pela pastelaria-chocolateria Mary's, depois do patrão ter recebido um postal do filho dos EUA a explicar o dia 14 de fevereiro, sugeriu num slogan que "é o único dia em que a mulher pode declarar a sua chama ao homem que ama oferecendo-lhe chocolate!". E colou.


As datas românticas no Japão são o dia de S. Valentim, o dia Branco (14/03), o Natal e Tanabata (julho e agosto).

Existem 2 tipos de chocolates a oferecer no dia de hoje:
  • os "honmei-choco" = chocolates caseiros e delicadamente embrulhados a oferecer ao homem que se ama, e
  • os "giri-choco" ('giri'=obrigação) são chocolates comprados e oferecidos aos homens à nossa volta como agradecimento da sua ajuda e gentileza. É uma forma dos outros não se sentirem excluídos.
Embora muitos recusem por causa do Dia Branco. Pois é. Mas essa explicação fica para o dia 14/03! Só vos posso dizer que eles cumprem o Dia Branco.

O dia de natal é para os homens se declararem. Visto que eles não
são católicos, não faz sentido celebrarem o natal como nós. É mais um evento comercial à S. Valentim.

O Tanabata é uma festa que celebra a união ou encontro de 2 estrelas: a Orihime (Veja) e a Hikoboshi (Altair). Celebra-se em Hiratsuka no mês de julho e em Sendai no mês de agosto.
O tradiocional dia das declarações.


Também acho engraçado existirem as festas da fertilidade que celebram os órgãos sexuais e o estímulo do sexo. Fazem rezas para ter uma boa procriação:

  • na Tagata-jinja Hounen Matsuri, falos enormes em madeira são transportados e exibidos durante a festa, a 15/03 na província de Aichi,
  • na Tsuburusashi para ter boas colheitas representa-se um deus masculino segurando um falo de madeira e uma mulher dança e toca o sasara (instrumento musical), a 15/06 na província de Niigata, e
  • na Onda Matsuri, onde após a cerimónia da plantação do arroz faz-se uma peça que representa um casal a ter sexo, no 2º domingo de fevereiro em Nara.
Esperam que tenham gostado e bom valentim!

Deixo-vos aqui o origami com o nó dos ama
dos/namorados. Dentro põe-se uma mensagem e, se alguém abrir percebe-se logo pois não há maneira de voltar a dobrar da mesma forma:

Boa sorte!

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Salas de banho

Desculpem a demora... muuuuito que estudar ultimamente...

Quer se trate de uma casa tradicional, quer de uma moderna, as casas japonesas têm um quarto de banho e uma sala de banho. Parece esquisito, não é?

Como dá para ver pela imagem, a casa de banho é constituída por 3 partes: o lavatório e o banho, e a sanita.

Fiz esta separação pois quando se entra para o lavatório, tem outra porta para a sala de banho. A sanita encontra-se num quarto de banho à parte, em geral, fica logo à entrada de casa.

A imagem do lado esquerdo é o espaço para se tomar o banho, sentado no banquinho e utilizando o chuveiro.

A imagem do lado direito mostra a banheira - que não é
para tomar banho no sentido de lavar. Após o banho tomado ali do lado esquerdo, vai-se para dentro da banheira, enchida com àgua a escaldar até cima. E, embora vos pareça uma banheira baixinha, enganam-se! Pois é bastante profunda. Uma pessoa lá sentada fica com àgua até ao pescoço!
Dá para ver pelo bonequinho, não?

Digo-vos, é extremamente relaxante, após tomar banho, ficar na banheira a fazer sauna.
Eles fazem isso no dia-a-dia. Imaginem o tempo
que cada um demora a tomar banho...

Nos hotéis, para poupar espaço, põe a banheira e o duche junto. Normal, dir-me-ão vocês. Pois, mas a banheira é montes de alta de forma a uma pessoa utilizá-la com àgua até ao pescoço, como vimos. É muito complicado entrar e sair dessas banheiras... então, eu que sou baixinha :) E daí, os japoneses também não são exactamente altos, mas prontos, eles lá se amanham.

E a tampa para que serve? Pois, isso é que eu já não acho tanta piada...
Como é um grande desgaste de àgua e quente, a tampa tapa a dita àgua.
Pela ordem: 1º é o pai que toma banho, depois os filhos e, por último a
mãe.
E dirão vocês "beurghc!". Mas o pessoal já tomou banho antes, tá tudo lavadinho.
Pois, mas a mim faz-me impressão na mesma pensar nisso. Não acham?
... Tradições.

A sala do banho está ambientada para 24º ou mais e, apesar de ter janelas de taman
ho normal (não daquelas pequeninas) há sempre umas árvores estratégicamente bem colocadas em frente. Puro relaxar.
Deixo aqui mais exemplos de banheiras e salas de banho, para se entender melhor.

Estão a ver sempre o dito banquinho? E também uma bacia de madeira, não é? Serve para atirarmos àgua para cima de nós, sabe bem. Claro, hoje temos o chuveiro para isso. Mas usava os 2 ao mesmo tempo e tinha sempre os pés também dentro de uma bacia com àgua quente. Muito boas essas
banhocas!

E os quartos de banho então?
Pois, nem sempre são como os nossos.
Os das casas têm aquelas sanitas
super-sónicas de que já falei :P Os dos centros comerciais e restaurantes também.

....Mas e no metro, nas lojas normais,
nos museus, nas estações de serviço?
Não há sanita para ninguém! Pois é. Basicamente é um buraco no chão! Ou "à caçador", ou "à turco" como se diz nalguns sítios.
.... É muito complicada a coisa... sobretudo para nós, mulheres... muito mesmo. Bem, eles lá puseram uns tubos fixados na parede para o pessoal se apoiar.

Se bem que, o pessoal por lá tá habituado a esta faceta desde sempre, por isso não têm problema nenhum em usar os ditos buracos. Nos museus e estações de serviço, há tipo 10 'buracos' e 1 sanita. É complicado...

Mas assim já estão avisados!

Não sei se sabem, mas os japoneses têm regras muito específicas quanto ao S. Valentim.
Pois é. Amor também leva regras. Mas isso, fica para amanhã!