sexta-feira, 20 de abril de 2007

Sinais dos tempos

Com sinais quero eu dizer os emblemas das lojas, tão a ver?

Embora hoje em dia sejam as marcas que estão afixadas nas lojas, dantes bastava o símbolo do tipo de loja - como um pente para representar um barbeiro ou cabeleireiro.

Os primeiros sinais de indicação de comércio eram os seguintes:

Do lado esquerdo, na primeira linha é a indicação de uma loja de pinceis, mais especificamente para os japoneses, artigos para a caligrafia.

Ao seu lado direito, temos o sinal para o comerciante de guarda-ch
uvas.

Abaixo dos pinceis, diriam vocês que era o chaveiro ou 'mister minuit', como eles se chamam agora... Tá mal!
É o serralheiro, prontos.

Abaixo do serralheiro, está o "peruqueiro"!!! Não o cabeleireiro, mas sim o comerciante de perucas, mesmo. Que engraçado.


Ao seu lado, o sinal indica o atelier do talhante de pedra. E porquê este sinal assim? Porque as tradicionais lâmpadas de jardim japonesa
s são feitas de pedra e têm aquela forma precisamente. E depois punha-se lá dentro uma vela.

O sinal à esquerda do talhante é do ca
rpinteiro.

Hoje em dia, estes sinais, foram conservados no Instituto Nacional de Literatura japonesa.

Não sei se repararam, mas todos eles têm uma espécie de argola por cima... sim?
A argola servia para os dependurar pois eram colocados durante a abertura da loja e retirados assim que fechasse.

Esses sinais eram chamados os "kanban", mas com o passar do tempo essa palavra passou a querer dizer "vamos fechar!".


Depois da madeira, passou-se a usar os sinais de metal. Então, aqui ao meu lado temos um capitão que faz publicidade a uns rebuçados para o hálito, vá-se lá saber porquê :P


Abaixo, é o emblema para uma loja de meias "tabi" - são as meias, que tradicionalmente, se us
am com o quimono e que dividem o dedo grande dos outros, como muitas sandálias de hoje. E o bonequinho representativo é um símbolo de sorte por aquelas bandas.

Em 3º lugar, é uma loja que vende serpentinas de incenso contra os mosquitos. Agora, o porquê do galo lá, não sei.

O monte Fuji tem ao seu lado um bulldog dentro de um círculo, não é? Pois, "Bulldog" é uma marca de molho à inglesa, que se costuma pôr por cima do tonkatsu ou de okonomiyaki (a explicação das comidas fá-la-ei mais tarde).
Ainda dentro, por cima diz "o aroma o mais detectável do Japão" e em baixo "Bulldog sauce".


O sinal com uma malga vermelha com tampa faz referência a um dos condimentos mais utilizados na cozinha japonesa, o ajinomoto que, entre outras coisas, tem como ingrediente o miso. Daí, a malga, porque a sopa miso é aí comida.


E, por último, o barril da soja. É. Antigamente ía-se à merceeiro pedir molho de soja, que ele tirava do barril.

Mais recentes, temos agora uns mais 'kitch'. Em 1º, o dragão que assinala o bar de ramen. De seguida, um comerciante de torneiras. Em 3º, uma cara...hã?...Pois, é camisas! Eu nunca lá chegaria! E, por último, o piano. Mas não é um vendedor de pianos, não se deixem enganar! É um transportador de pianos. Nuance ~

Aqui à direita, era um restaurante (caríssimio) de fugu ou peixe-balão. O polémico fugu. É aquele peixe que tem veneno e só se for muito bem cozinhado de uma forma muito específica é que não morremos. Por isso, só cozinheiros com experiência é que o cozinham, daí o preço elevado.


O porquinho que aqui vêm é só para enganar! O gajo! Era uma loja de roupa, pura e simplesmente. Pelo menos, é original ter um porquinho à entrada. Cheguei a ver noutra loja 2 porquinhos assim à entrada, mas não reparei se teria o mesmo nome. Faria sentido, digo eu.

E, para acabar, queria-vos deixar um em que aposto só as mulheres vão adivinhar à 1ª!

Pois, é que o boneco só por si não representa nada.

São as letras que lá aparecem e o padrão de símbolos. É uma loja da marca Louis Vuitton. Para quem não sabe, é uma marca de carteiras e afins extremamente caras que toda a madame e quase todas as mulheres desejam ter.

Digo "quase" porque a mim não me fascinam as carteiras e, como tal deve haver mais gente por aí assim. Digo eu.

Mas, para tirar as teimas, entrei numa loja lá. Só para ver. E, realmente, tratam-nos muito bem. Ainda mais bem do que é normal lá.
Pois... e um puto dum porta-chaves custa 100€.
Tá certo.
Mas o boneco tá giro.


quinta-feira, 12 de abril de 2007

Cuidado com os veados!!

Tiveram boas férias? Pois, eu também.

Voltando aos veados...

Tinha eu dito que quando fui a Nara ver o grande Buda encontrei uma data de veados lá à solta, pois eles são os mensageiros dos deuses. É montes de engraçado :)

Eles até deixam fazer festinhas e tudo. Mas há um senão. Que até tem a sua piada.


O guia explicou-nos que devíamos
ter as carteiras, mochilas, bolsos, etc, tudo muito bem fechadinho porque os veados já estão à espera que a gente lhes dê biscoitos e, então começam a trincar tudo o que esteja a jeito - houve já quem tenha ficado com o passaporte comido!! É muito chato, realmente...
Há lá barraq
uinhas de biscoitos para veado, tipo hóstias.

Já para não falar das
"prendinhas" que os veados deixam pelo caminho... :P

Estão a ver no templo, uma janela um pouco elevada do telhado?
Em dias de grande afluência, abre-se as portadas e, assim as pessoas que estejam em fila para ir ao templo, podem ver de longe
o grande Buda... engenhoso, pois.

Outra coisa que hão-de reparar nos templos, é que no telhado superior, em cada ponta, encontram-se 2 caudas douradas: trata-se de caudas de peixes.

Porquê?
Ora, porque o elemento dos peixes é água, certo? Por isso, tendo a cabeça do peixe a espreitar para dentro do templo e a cauda a espreitar para fora, quer dizer que o templo (sempre feitos de madeira) fica protegido contra os incêndios!
Pois é! Esta não sabiam! Também fiquei parva com a explicação, na altura...

Além de que este templo especificamente, já sofreu um incêndio e teve de ser reconstruído... Cá para mim, os peixes andavam distraídos :P

Esta miniatura representa o templo que ardeu. Dá para ver bem as ditas caudas no topo.


Agora, falta só falar
do "buraco da felicidade"! Pois é.
Não pense já coisas malandras, que aquilo chama-se mesmo assim.

Uma das colunas,
dentro do templo, tem um buraco que a atravessa de um lado ao outro. Diz-se que quem a atravessar vai encontrar a felicidade.
Só há um pequeno problema... o buraco é tão pequeno que só lá passam crianças. Por isso, nada de felicidade para os adultos!

É preciso saber estas coisas!